24 de ago de 2017

[Resenha] Pecadora

Livro: Pecadora
Autora: Nana Pauvolih
Editora: Essência
Páginas: 384
Gênero: Romance/Erótico
Nota: 3.5/5
Todos nós éramos pecadores. Somente uma coisa diferenciava um pecador: as escolhas. Saber o certo e escolher seguir pelo caminho errado em vez de fazer o que era correto. Fechei os olhos. Apesar de tudo que tinha feito naquela noite, não me arrependi. Era pecado, era perdição, mas também era mais do que eu já tinha sonhado em ter. Entre a rígida criação religiosa e o desejo que sempre a consumiu, Isabel precisa se encontrar. Casada há quatro anos com Isaque, seu namorado de adolescência, a jovem sabe que a relação está longe de ser satisfatória. Mas é só quando Isaque fica amigo de Enrico, um publicitário solteiro e bem-sucedido, que a situação começa a ficar insustentável. Agnóstico, sem amarras e cheio de mulheres, Enrico é tudo o que Isabel acredita rejeitar, mas ela não consegue deixar de se sentir interessada pelas histórias que o marido conta dele. Para piorar, ela consegue um emprego na agência dele, e agora terá de passar os dias ao lado do homem que traz à tona seus sentimentos mais proibidos. Neste novo romance, Nana Pauvolih, uma das maiores autoras de romances eróticos do país, mostra que o certo nem sempre precisa ser aquilo que é imposto, e sim aquilo em que se acredita.

Para um primeiro contato com a escrita da Nana Pauvolih, fiquei impressionada com a história e o tema escolhido. Como já falei, adoro romances polêmicos, e um que temos os costumes da religião evangélica no meio é difícil não ser polêmico. Pecadora já nos choca desde o título porém, é mais do que isso. Tem muito a nos ensinar. 

Isabel nasceu e foi criada com regras rígidas dos pais. Filha de pastor e uma mãe fervorosa da igreja, ela e mais suas duas irmãs sempre tiveram ordem rigorosas durante sua vida. A irmã do meio, Rebeca, a mais rebelde de todas, traz uma notícia que cai como uma bomba na família: ela está grávida e não sabe quem é o pai. Na cabeça dos seus pais com ela desgraçando o nome sua família, e Isabel sendo próxima da irmã, eles tomam medidas drásticas que afetarão para sempre a vida das duas.



Aos 22 anos já casada, uma união arranjada na igreja, Isabel tem frustrações e pensamentos que fogem daquilo que foi ensinado. Vendo aos poucos sua fachada calma ruir porque quer se descobrir e ser livre, ela passará por um momento atribulado onde colocará em xeque todas as suas convicções: Enrico entra na sua vida. Mulherengo, determinado, dono de si e ciente do que causa nas mulheres, ele é o oposto do que sempre procurou na vida. Quando por uma dificuldade financeira acaba indo trabalhar na empresa dele, tudo muda. Será que as regras tão enraizadas na sua cabeça somente são as certas? Ela deve viver infeliz em prol a tudo que lhe foi passado?

Confesso que quando peguei o livro, já esperava um embate enorme interno da protagonista afinal eu passo por essas dúvidas constante quanto a regras severas de igreja. E encontrei o esperado. A todo momento nossa mocinha fica em dúvida se é certo ou não o que está fazendo, ou querendo fazer, e isso está bem pontuado na história. São bastantes questionamentos, procura de respostas e autoconhecimento. O primeiro ponto e o que mais elogio na história é ver um desabrochar de uma mulher não só sexualmente, mas aliado ao caráter e personalidade.

"O ser humano é tão inteligente que cria meios d suportar as dificuldades. Alguns se refugiam na religião e em promessas de um mundo melhor além-túmulo, outros caem na farra e no esquecimento com festas e bebidas. Sempre há uma saída, nem que seja se acomodar em seu mundinho perfeito e se sentir protegido nele." pág. 61

A autora nos mostra uma evolução pessoal ao decorrer das páginas talentosamente construída. Talvez em alguns momentos torne-se cansativo pela repetição dessa dúvida interna, entretanto percebe-se ser necessário. Quebrar paradigmas de uma mente que foi educada para ser de um jeito, e que agora quer se libertar, é difícil. Em diversos momentos quis bater na Isabel e simplesmente largar de lado ao mesmo tempo que entendia o lado dela. São anos de uma aprendizado "errado" que terá que ser desconstruído, e para passar veracidade precisa-se de tempo.

Enrico foi um personagem também de altos e baixos que deixou o enredo interessante. Ao mesmo tempo que tentava negar seu interesse em Isabel, dava demonstrações que queria. Dependendo de como é escrito essa questão de querer ou não, fica meio chato, e aqui senti que faltou uma mão que parasse esse vai ou não vai. Como ele foi caracterizado como determinado e que corre atrás do que quer, ficou uma interrogação levantada quando ele muda essa atitude em uma cena. Como falei ficou cansativo a narrativa em alguns pontos porque estendeu algo que poderia ser menor. 


Elogio bastante a escrita que é fantástica e que com certeza me fará ler mais coisas da Nana. Sua construção de cenas e ambientação são demais, além de trazer uma visualização dos personagens ótima. Ela sabe nos transmitir o que quer passar, e seu erótico é apimentado — não recomendado aos mais sensíveis. Ganhou pontos por se passar no Rio de Janeiro, o que ajuda e muito a imaginação de quem mora por aqui, além de que notar uma boa pesquisa em torno do que é proposto.

E o que me deixou mais feliz foi ver que ela não denegriu a imagem da religião evangélica, ou suas igrejas. Vamos ver uma conscientização de hábitos e atitudes impostas por pastores, que acham correto ou distorcem o que é discutido na Bíblia em torno de fazer sua comunidade ser "fiel". Eu sou evangélica, e nenhum momento me senti ofendida ou discordei de algo que foi passado. Acho sim que existem doutrinas que impõe tantos não, que proíbe tantas coisas que você é infeliz. E infelicidade não é algo que Deus ou Jesus, para quem acredita, queira.

"Eu me senti covarde. Vivia cheia de medos, culpas e vergonha. Estava infeliz, mas preferia ficar assim, camuflada..." pág. 159

Na parte física, ainda não sei o que pensar da capa. Alguns momentos acho ela excessiva e em outros consigo contextualizar. Acredito que seja erotizada demais para um conteúdo que talvez não tenha tanto enfoque em erótico. O título sim é polêmico, feito para chamar a atenção, e tem alusão a um acontecimento na narrativa que em partes concordo. Até porque foi ele o que me chamou atenção para a brochura. A revisão e a diagramação estão corretas, e destaque vai para esta segunda onde os inícios de capítulos são numerados com um imagem a ver com o conteúdo. A narrativa é feita em primeira pessoa por dois pontos de vistas.

Acredito que não tenha nada a mais para ser explorado nesse universo, então estou contente com o resultado final. Gostei do modo como a Nana trabalhou e com certeza irei pegar outras obras dela. Pecadora foi uma boa experiência. E vocês, já leram algo dela? Leram Pecadora? Deixa nos comentários!

16 comentários :

  1. Olá! Tudo bem? Nunca li nada dela. Mas, amei a sua resenha e a história parece nos prender do inicio ao fim, parece que "pega" de uma maneira que não conseguimos largar o livro, pois foi assim que aconteceu comigo lendo sua resenha. Amei <3
    Beijocas.

    www.meumundosecreto.com.br

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  2. Oii Carol tudo bem?
    Infelizmente dessa vez a obra não despertou meu interesse linda, mas gostei muito de saber a sua opinião, nem a capa conseguiu me encantar, ótima resenha e lindas fotos.
    Beijinhos

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  3. Oi, Carol!
    Que bom que a autora não denegriu a imagem da religião da protagonista! às vezes eu fico com receio de progredir com a leitura quando sei que tem essa quebra de paradigmas, porque não é todo autor que sabe conduzir isso de forma gradual e não ofensiva.
    O livro parece bem bacana, mas já tive alguma experiência com essa autora e não curti. Vou deixar passar dessa vez, mas quem sabe um dia eu ainda me arrisque na leitura.
    Bjos!
    Por essas páginas

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  4. Olá, tudo bom? (:
    Nossa, nunca li um romance assim, que envolve religião. Fiquei interessada nessa história, me chamou bem atenção. Gostei de ter uma evolução e da escrita ser boa, são pontos importantes! Anotada a dica! Sua resenha ficou ótima, parabéns!
    Beijos, Yasmim.

    Blog: https://literarte.blog.br/

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  5. Olá!
    Amo a escrita da Nana e sou suspeita pra falar. Achei que esse livro ficou muito bom justamente por trazer esse ponto sobre a religião, fanatismo e ainda erotismo o que dá ótimos embates.
    Beijos!

    Camila de Moraes

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  6. Olá, tudo bem?
    Eu nunca li qualquer livro da autora, já li algumas resenhas, mas nada que me conquistasse, até porque não curto romance erótico. A sua resenha ficou boa, mas infelizmente o livro não me despertou interesse.
    Abraço

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  7. Adorei a resenha desse livro!! Eu nunca li nenhum da autora e talvez esse seja um bom para começar... Eu sempre fiquei com um pés atrás com esses livros eróticos desde os cinquenta tons, não sei bem o por que. Li metade do primeiro livro dos 50 tons e depois parei, mas talvez eu dê uma atenção ao livro por ser nacional e tente entrar nesse gênero polemico.

    Um beijo, Karol Vicente.
    http://www.palavrasambulantes.com/

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  8. Eu adorei a sua resenha, sincera como sempre. Eu até tenho curiosidade com esse livro, mas tenho a sensação que a leitura não será tão fluída para mim, acho que algumas coisas vão me incomodar e começar a ler um livro desse jeito não é legal, pode até atrapalhar ainda mais o desenvolvimento da leitura.

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  9. Olá, também não gostei muito da capa, mas ok né. O livro me chamou atenção for ser um tema bem polêmico, quero saber mais sobre os embates da personagem.

    Beijos!

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  10. Eu fico meio em cima do muro quanto a ler ou não esse livro, pois fico curiosa, mas não sei se gosto tanto da premissa da história. Acho que só vou poder formar uma opinião depois de tentar a leitura, né? Vou colocar na minha lista.
    Beijos
    Mari
    www.pequenosretalhos.com

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  11. Olá! Não conhecia o livro mas achei a premissa interessante. Gosto de dramas e pelo que percebi tem bastante nessa história. A capa é bem forte, achei que combinou com o título, beijos!
    Entre Livros e Pergaminhos

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  12. Estou de olho neste livro, mas não li ainda, aliás, nada da autora. Já imaginava que tivesse um forte contexto sexual, mas confesso que a capa em si não me conquistou de toda.
    Bjs, Rose

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  13. Eu já conheço o trabalho da autora, confesso que com esse livro quando lançado eu fiquei bem curiosa, mas com o tempo foi diminuindo, hoje já não tenho tanta vontade.
    Obrigada pela sincera resenha, sempre é bom quando isso acontece.

    Beijos

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  14. Bah, esse livro parece reunir tudo de que não gosto: romance, romance erótico e questões evangélicas. Vou fugir dele - não pela tua resenha, que tá bem escrita, mas pelo livro mesmo.

    ;*

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  15. Ainda não conhecia este livro, mas a primeira vista, ao olhar a capa sem ler a sinopse, eu imaginaria um romance erótico mais pesado.

    Não gosto de histórias que levantam questões religiosas, nada contra quem curte. Sei que isso não torna um livro ruim, apenas não faz meu estilo.

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  16. Olá,

    Eu li um outro livro da autora e achei que ela pesou a mão na parte erótica, por isso que quando vi esse livro não me senti muito animada para fazer a leitura. Gostei bastante de ver sua opinião sobre a obra e conhecer um pouco mais desse livro. Achei muito interessante essa mudança de pensamento, até porque não é nem um pouco fácil. Fiquei bem intrigada com a história agora, espero ter a oportunidade de lê-la.

    Beijos,
    oculoselivrosblog.blogspot.com.br/

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